Especialista espanhola traça panorama europeu e defende avanço das compras públicas de inovação no Brasil

Por Enfato Comunicação
Junho 3, 2026

Compartilhar:

Sandra Sinde apresentou o modelo bem-sucedido da Espanha, que já movimentou mais de 1,3 bilhão de euros no setor, e apontou a Inteligência Artificial como o próximo passo para o mercado brasileiro.

O papel estratégico dos ecossistemas de inovação aberta e o impacto das compras públicas globais foram os temas centrais do painel “Case internacional: o que já é prática global — e ainda é pauta no Brasil?”, com Sandra Sinde, Fundadora da LASINDE, na Espanha. A apresentação abordou o funcionamento do que move a inovação governamental, envolvendo desde canais de acompanhamento tecnológico até processos de cocriação, financiamento, investimento e aceleração de soluções de impacto.

De acordo com a palestrante, navegar no mundo da inovação exige muito mais do que apenas adquirir novas ferramentas. “Trata-se de identificar problemas de impacto real, ter capacidade de compra e desenhar políticas públicas eficientes. Para isso, os governos precisam gerar valor público, ter confiança no processo, sair da zona de conforto, provocar a oferta do mercado e, desenvolver capacidades dinâmicas”, destacou.

Ao traçar um comparativo sobre o desenvolvimento do setor na Europa, na Espanha e no Brasil, a especialista apontou que o continente europeu já possui marcos políticos consolidados em diferentes nações para o desenvolvimento de compras públicas de inovação (CPI). Atualmente, Finlândia, Estônia, Áustria, Espanha e Lituânia figuram no top cinco dos países líderes nesse segmento.

A Espanha se destaca por uma trajetória construída nos últimos 12 anos, iniciada a partir de um acordo nacional que definiu as diretrizes para a compra de inovação e criou instrumentos financeiros específicos para apoiar contratações comerciais e similares. Esse ecossistema, composto por demanda pública, empresas solucionadoras, universidades, entidades de apoio, financiadores e contratos já viabilizou mais de 250 projetos por meio de Consultas Públicas ao Mercado (CPM) ou licitações, movimentando mais de 1,3 bilhão de euros em compras públicas de inovação, tendo a saúde como o setor mais beneficiado.

Para o Brasil, a palestrante defendeu que o país precisa “levar a compra de inovação para outro nível”. Entre as ações prioritárias para o futuro do mercado nacional, Sandra destacou o fortalecimento da colaboração, a criação de vitrines institucionais para atrair novas entidades e o impulso a soluções que trabalhem toda a cadeia de valor.

A especialista ainda ressaltou a urgência de incorporar metodologias de medição de impacto real, imprimir mais agilidade e integrar a velocidade tecnológica aos processos tradicionais. “O próximo passo do Brasil envolve alinhar a Inteligência Artificial com a compra pública de inovação e o seu uso ético, além de integrar esses processos a outras iniciativas de inovação aberta”, pontuou.

O GovTech Summit é uma das frentes do hub GovTech Lab, um projeto de transformação governamental. Entre os patrocinadores confirmados para a edição 2026, estão Banrisul, Caixa Econômica Federal, Secretaria de Inovação, Ciência e  Tecnologia do Rio Grande do Sul, Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Prefeitura de Porto Alegre, Procergs, Procempa, Corsan, Rio Grande Seguros e Previdência, TOTVS, Prodesp e Sebrae. O evento é idealizado pela Moove – a primeira agência com o selo GovTech do Brasil, certificada pela BrazilLab.

Foto: Cassius Souza

Compartilhar
plugins premium WordPress