A Azzi utiliza IA e reconhecimento facial para aumentar engajamento em pesquisas e qualificar decisões de organizadores
A fotografia como porta de entrada para dados qualificados em eventos. Foi a partir dessa ideia que nasceu a Azzi, startup gaúcha que vem transformando a maneira como organizadores de eventos entendem seu público e mensuram resultados. Unindo inteligência artificial, visão computacional e reconhecimento facial, a empresa encontrou uma forma inovadora de aumentar o engajamento em pesquisas de satisfação, oferecendo fotos oficiais do evento em troca da participação do usuário.
A startup surgiu durante o programa Acelera X – Turismo, iniciativa do Sebrae em parceria com a prefeitura de Porto Alegre. Inicialmente, a ideia era empreender no segmento de fotografia, mas, ao longo das conversas com a gestão pública, foi identificada uma dor recorrente do setor: a dificuldade na coleta de dados confiáveis para a tomada de decisão. Conforme o Founder & CEO da Azzi, Augusto Pellizzaro, “na época, a prefeitura havia contratado uma startup que prometia resolver esse problema, mas existia uma grande dificuldade de engajamento do turista para fornecer os dados. Foi aí que surgiu o insight de utilizar a fotografia como contrapartida da pesquisa”, explica.
A partir dessa lógica, a Azzi desenvolveu uma plataforma que combina pesquisas de satisfação com tecnologia de visão computacional. Na prática, uma esteira de serviços baseada em inteligência artificial analisa e cataloga as fotografias captadas durante o evento, permitindo cruzar informações das imagens com as respostas fornecidas pelos participantes. Um dos diferenciais da solução está justamente no reconhecimento facial, que permite ao usuário localizar rapidamente suas fotos no sistema. Segundo Pellizzaro, “o modelo proprietário foi treinado com bases públicas e transforma rostos em padrões numéricos criptografados, garantindo precisão sem expor dados biométricos dos participantes. A preocupação com a privacidade sempre foi central para nós. Trabalhamos com anonimização desde o início e desenvolvemos uma lógica própria de criptografia para garantir segurança e conformidade”, salienta.
A estratégia tem funcionado porque atende a um comportamento já consolidado no universo digital, que é o desejo por imagens de qualidade para compartilhamento em redes sociais. “Hoje somos extremamente midiáticos. As pessoas querem a foto oficial do evento, com qualidade profissional, e gratuitamente. Isso gera um engajamento muito maior do que pesquisas tradicionais enviadas por e-mail ou WhatsApp”, conta Pellizzaro.
Mais do que medir satisfação, a plataforma vem sendo utilizada como ferramenta estratégica por organizadores de eventos de grande porte, especialmente summits, simpósios e encontros orientados a dados. “Entre os principais usos estão a mensuração da qualidade da experiência, conhecimento do perfil do público, geração de relatórios de performance, cálculo de ROI e até apoio na captação de patrocinadores”, exemplifica o CEO.
Parte das informações demográficas, inclusive, é obtida diretamente das fotografias por meio de IA, sem exigir formulários extensos dos participantes. Um dos cases recentes da Azzi foi realizado junto à Secretaria de Inovação e Tecnologia do Governo de Goiás. O órgão utiliza indicadores como NPS, OKRs e KPIs para medir a eficiência de suas iniciativas e encontrou na startup uma forma mais eficiente de coletar e processar dados durante eventos. “Antes da Azzi, a secretaria precisava deslocar servidores para aplicar formulários presencialmente, organizar os dados e gerar relatórios. Hoje, o processo é muito mais automatizado e ainda gera divulgação espontânea dos eventos, já que as fotos compartilhadas carregam a marca do governo do Estado”, afirma Pellizzaro.
Apesar do avanço, o CEO da Azzi reconhece que os principais desafios ainda envolvem tecnologia e escalabilidade. Um dos focos atuais está na automação completa da geração de relatórios e na calibração das inteligências artificiais utilizadas na análise das imagens. Além disso, a startup busca consolidar seu modelo de negócio e fortalecer seu posicionamento como parceira estratégica dos organizadores de eventos. “Queremos cuidar dos dados do evento ponta a ponta, desde a coleta até a geração de insights”, revela.
Para o futuro, a expectativa é de que os eventos se tornem cada vez mais inteligentes, personalizados e orientados por dados comportamentais. “Acreditamos que a experiência será cada vez mais invisível para o participante, com pesquisas dinâmicas e adaptadas ao perfil de cada pessoa”, projeta.
Enfato Comunicação