Os desafios das mulheres no mercado tech

Março 16, 2026

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Dra. Téo Foresti Girardi, Head do GovTech Summit e Fundadora e CEO GovTech Lab

A tecnologia costuma ser apresentada como sinônimo de futuro. Mas nenhum futuro será verdadeiramente promissor enquanto as mulheres ainda precisarem lutar mais do que deveriam para ocupar seu lugar nele. Falar sobre mulheres no mercado tech não é tratar de uma pauta paralela. É falar sobre quem pode imaginar, construir e liderar o mundo que vem.

Os números mostram avanço, mas também revelam o tamanho do desafio. Entre 2024 e 2025, o número de mulheres na tecnologia no Brasil cresceu 4,6%, passando de 69,8 mil para 73 mil profissionais. No Rio Grande do Sul, elas representam 4,9% das profissionais do setor no país. Ainda assim, a presença feminina segue muito baixa: apenas 0,08% da população feminina com 18 anos ou mais atua nessa área.

Isso revela que crescer não é o mesmo que pertencer. Muitas mulheres chegam, mas ainda encontram ambientes em que precisam provar competência com mais frequência, enfrentar desigualdade salarial, pouca representatividade e barreiras culturais que seguem associando tecnologia, liderança e exatas ao universo masculino.

Apesar disso, as mulheres seguem abrindo caminho. Estão à frente de startups, projetos estratégicos, empresas e funções públicas relevantes, mostrando que sua presença não é apenas uma questão de justiça, mas de inteligência coletiva. Diversidade amplia repertórios, qualifica decisões e fortalece a inovação, especialmente em tempos complexos.

No setor público, isso é ainda mais urgente. A transformação digital do Estado não pode ser apenas técnica; precisa ser também inclusiva, ética e comprometida com valor público. Por isso, ampliar a presença feminina nos espaços de decisão e inovação é parte da capacidade institucional de responder melhor à sociedade.

A mudança cultural não acontecerá sozinha. Ela exige visibilidade, oportunidades, reconhecimento e presença ativa das mulheres nos espaços onde o futuro é desenhado. O GovTech Summit, que acontece em junho, em Porto Alegre, é uma dessas oportunidades de conexão entre governos, empresas e sociedade para fortalecer essa agenda.

O futuro da tecnologia será melhor quanto mais mulheres puderem habitá-lo por inteiro, não como exceção, mas como liderança, referência e força transformadora.

Téo Foresti Girardi é Doutora em Design e Tecnologias, Head do GovTech Summit e fundadora e CEO do GovTech Lab. Atua na interseção entre pesquisa, desenvolvimento, inovação e transformação da gestão pública, com reconhecimentos como o GovTech Groundbreakers 2023, o Prêmio de Melhor Case de Inovação do Brasil pela ANPROTEC, o destaque “Mulheres Fora da Curva” e, mais recentemente, o reconhecimento da ABGI na categoria P&D e Inovação.

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